Quarta-feira, Outubro 12, 2011

Brincadeira de Criança - sobre meninos e meninas

Na semana passada me deparei com um comercial de tevê de um brinquedo para meninas que me intrigou. Trata-se de uma lava-roupa de boneca e, como se não bastasse isso, o texto ainda dizia: "uma maquininha de lavar roupa igualzinha à da mamãe".

Vamos lá: o brinquedo é rosa, cor simbólica-mor de representação do feminino, isso é indiscutível. O comercial só tem meninas e eu só vejo referências à mamãe, nada em relação ao papai. Deve ser porque, obviamente, o papai não lava roupa, correto?



O brinquedo virou febre, pelo que entendi. O título de uma matéria publicada no G1 dá conta de que a tal Lava Lava foi o maior sucesso nas lojas da 25 de março durante a campanha para o Dia das Crianças (pra quem não sabe, a 25 é o maior centro comercial de rua de São Paulo, paraíso das consumistas pobres como eu... rs). Quem quiser ler pra crer, segue o link aqui.

Bem, eu não tenho nada contra as meninas aprenderem a lavar roupa brincando, apesar de preferir outras brincadeiras mais criativas. Sei que as crianças adoram imitar os adultos e acho até saudável que elas aprendam desde pequenas a lidar com as responsabilidades domésticas, seja através do contato lúdico, seja ajudando a mamãe. Mas a minha ressalva vai para o fato disso ser claramente direcionado apenas às meninas e não aos meninos. 

Muita gente vai dizer que sou exagerada ou feminista (aliás, obrigada... rs), mas eu não quero que minha filha aprenda a lavar roupa enquanto os meninos aprendem a se divertir de verdade com bolas, carrinhos, aviões ou coisa que o valha. Eu olho ao redor as meninas brincando de fazer comida em meio a panelas e, do outro lado, meninos com bonecos e carros e só consigo visualizar o que acaba acontecendo na maioria dos lares no futuro: mulheres trabalham enquanto homens se divertem. 

Parece um treinamento. Meninas são treinadas para os cuidados com a casa (nem que seja apenas através das brincadeiras), enquanto os meninos brincam no sentido genuíno da palavra. Observo dentro das casas as famílias se desenvolvendo com essa configuração muito clara: as meninas ajudam a mamãe, enquanto os meninos são mimados. Meninas aprendem a lavar sua calcinha. Meninos deixam cuecas sujas para os outros lavarem. 

Quando crescem, os homens "maduros" (#not), mesmo aqueles com boa vontade (sim, eles existem!), ficam perdidos diante da responsabilidade de ter que dar conta da própria vida. Ora, convenhamos, cuidar de casa é um tremendo pé no saco. Ou melhor, no útero. E com cólica, pra ser bem dolorido. É um trabalho não remunerado, mal reconhecido e que não termina nunca! Ninguém gosta de ter obrigação de fazer, mas faz. Faz porque gosta de ver a casa limpa, arrumada, bem cheirosa e aconchegante. Faz porque precisa de talheres limpos para a próxima refeição, e porque, vamos combinar, dá uma dignidade danada ver a casa tinindo de organizada, né? Até eu que não sou nenhum exemplo de organização adoro ver tudo no lugar. 

Então, se ninguém gosta, mas todo mundo usufrui dos benefícios e mora no mesmo lugar, é preciso entrar na dança, arregaçar as mangas e colocar a mão na massa. Grande parte dos homens (sem generalizações, por favor) não faz a menor ideia de como ser dono da própria casa. Quando não terceirizam o trabalho doméstico, procuram uma esposa como quem seleciona uma empregada. Plus: ela ainda tem que ser bonita, depilada, boa mãe e dar um jeito de ganhar dinheiro pra ajudar no orçamento (!). 

Desculpem, mas querer educar minha filha pra entender que isso é questão de responsabilidade e não de obrigação somente dela é ser radical ou feminista? Não que eu ache isso ruim, mas pra mim é uma questão de ser justa. Os meninos não brincam de casinha, não brincam de fazer comidinha, de varrer a casa, lavar roupa, cuidar do bebê, etc, etc e etc. Então, eles crescem sem o tal "treino". Mesmo aqueles que citei lá em cima, que têm boa vontade e querem ajudar. Eles são perdidos, não sabem nem por onde começar. Não entendem que se trata de um serviço vitalício e que necessita ser realizado todos os dias. Eles não aprendem a ver o lixo cheio, a pia abarrotada, o cesto de roupa transbordando, a cama desfeita, o chão sujo e assim sucessivamente. A maioria deles - e mesmo alguns que conheço com discurso feminista, ressalte-se - simplesmente se acomoda, sobretudo, porque sabe que alguém uma hora fará o trabalho por eles. Seja porque não suporta ver tudo desorganizado, seja porque cansou de pedir cooperação, seja porque se incomoda com a sujeira. Afinal, alguém tem que fazer o trabalho sujo.

Estou escrevendo isso baseada em experiências, observações que fiz nas casas por aí, conversas entre amigas, colegas, casadas ou não, com irmãos homens,... como é cansativo perceber que a mesma história se repete o tempo todo e depois de tantos anos de história. Digo a vocês que gostaria de estar escrevendo outra coisa e fazendo constatações mais otimistas em relação à igualdade de responsabilidades entre os gêneros.

Mas o fato é que isso está longe de acontecer e só vai se concretizar quando olharmos de forma mais criteriosa para a educação. E educação, minhas queridas e meus queridos, começa em casa, bem cedo, antes da escola. Começa no cuidado, começa no brincar. 

Hoje foi meu primeiro dia das crianças como mãe de uma criança, já que no ano passado a Valentina, do alto de seu segundo mês de vida, só sabia brincar  de mamar. Hoje eu brinquei com a minha filha de dançar, desenhar e contei histórias. Passeei no parque, empurrei ela no balanço e no escorregador. Bati palmas, cantei músicas e fiz teatro de bonecos. 

Não estou dizendo que não vou deixar minha filha brincar de lavar roupa ou fazer bolinhos se assim ela quiser. Ao contrário, farei questão de inclui-la nesse universo - de forma lúdica, é claro -, para que ela entenda desde cedo que não existe mágica: as roupas não ficam limpas, a pia vazia e a comida pronta em um sacudir de varinha de condão. 

Proponho a nós, mães - já que isso também parece estar relegado principalmente às mulheres -, usarmos essa arma de forma inteligente. De tantas responsabilidades que temos em mãos, acredito que a mais poderosa seja a de educar nossos filhos para que eles escrevam histórias melhores no futuro. Vamos ensinar os meninos a lavar roupa, fazer comida e lavar suas cuecas também. Vamos brincar de casinha com eles e fazer eles de papai que também cuida dos bonecos como as meninas de suas bonecas. Não coloquem a culpa no "instinto maternal", isso nada mais é do que cultural. E cultura, meus caros, é construção social. Cons-tru-ção. 

Não vamos deixar que lá na frente os meninos que criamos escolham mulheres para os servir e sim para que escolham mulheres que sejam suas companheiras, parceiras. Alguém com quem contar na vida e dividir as coisas boas e ruins. Não vamos deixar que eles entrem em conflito com suas esposas simplesmente por não terem aprendido a ter iniciativa dentro de suas casas, com mamães tornando a vida fácil para os meninos e complicada para as meninas. Já vi mães com casais de filhos reclamarem que suas filhas "não ajudam em casa" e nada falar dos seus bebezões preguiçosos que darão trabalho às esposas mais tarde. Demorou pra mudarmos essa situação. As nossas mães são da geração da liberação feminina, porém, não entenderam muito bem o que isso significava. E acho que nem nós entendemos ainda, pois contribuímos o tempo todo para que esses "pré-conceitos" se propaguem. 

Mas ainda há tempo e eu sou cheia de esperança no futuro.

E que ele comece dentro de casa. Hoje. 

Um feliz dia de BRINCAR para todos. 






Sexta-feira, Outubro 07, 2011

Incondicional?

Adjetivo imperativo, absoluto.
Que não admite ou não supõe qualquer condição
, diz o dicionário. 



Essa é a definição de incondicional, "não admite condições", palavrinha que tem alcançado uma popularidade imensa em dias de amores e romances virtuais. 


Tudo agora virou "amor incondicional". Se você conheceu o fulano um dia desses, ficou, começou a namorar, pronto. Já está amando incondicionalmente - na Internet. Legendas e mais legendas de fotos rezarão a frase sem verbo "amor incondicional" com milhões de asteriscos e letrinhas em maiúsculas e minúsculas, essas frescuras formas de destaque peculiares à linguagem virtual.


Reflita: você ama mesmo incondicionalmente? Isso significa que você não estabeleceu nenhuma, assim, absolutamente nenhuma condição (por menor que seja) para amar? Significa dizer então que você não faz questão de ser amada, condição primordial da reciprocidade, certo?


Olha, eu não amo meu marido incondicionalmente. Não mesmo! Eu o amo muito, mas quero ser amada também. E essa é a minha condição primeira e eu diria principal. Se ele não me amar também, não vejo sentido em continuar investindo emocionalmente nessa relação. Estou errada? Claro que não seria como apertar um botão de "desamar", mas lutaria por isso, pois sim, estabeleço condições. 
Eu te dou meu coração. E você, vai me dar o seu?


Quero mimos, quero carinho, quero atenção em troca! E não tenho vergonha de dizer isso. Quero finais de semana incríveis, noites calorosas, beijos demorados e música. Quero namoro quentinho no inverno e banhos de mar em janeiros escaldantes. Abraços molhados, pele. Quero também ouvidos atentos para me escutarem nos meus momentos verborrágicos e compreensão para os momentos dramáticos de crise. Quero também gostar de fazer nada junto, deitar no sofá da sala e assistir uma porcaria qualquer, só pra ficar junto, assim, vendo o tempo passar.


Amar incondicionalmente? Eu amo a minha filha. Acho que ela é a única pessoa nesse mundo de quem jamais cobrarei nada que não seja para o bem dela mesma. Jamais cobrarei que me ame em troca do meu amor e isso sim é ser incondicional. Não vou ser hipócrita em dizer que não vou ficar feliz quando escutar da boquinha dela que ela me ama também e que eu sou a mãe mais linda do mundo. Até quando amamos incondicionalmente gostaríamos de "recompensas emocionais" espontâneas, não cobradas. 


O problema é que não é tão romântico dizer "amo-te condicionalmente". É realista demais e a verdade é cruel. As pessoas precisam do mito do amor romântico para darem graça à sua vivência, brilho às nuances cinzas da realidade. Amar incondicionalmente é rosa! 


No entanto, convenhamos, o ser humano é errado, defeituoso e apegado. Queremos retorno de tudo. Esperamos por isso, nutrimos expectativas, nos decepcionamos por causa delas e raramente aprendemos. A vida é cheia de conceitos abstratos que nos fazem cair em armadilhas, mas eu prefiro ser franca comigo mesma e com quem está comigo. Já amei algumas vezes na minha vida, todas de forma diferente, mas nunca sem esperar algo em troca - e não falo de bens materiais. 


Tem gente por aí que quer dinheiro, carro, status. Eu não, só quero amor recíproco, companheirismo, lealdade e admiração. Isso não é amor incondicional porque - ainda que dentro do campo do abstrato - estabelece condições mínimas para acontecer. Mas não deixa de ser amor, ok? 


Se não for assim, 


Sem condições!


E sem mais.







Sexta-feira, Setembro 23, 2011

É tudo mentira

1 semana na "Matrix" maternal.
Sabe quando você acaba de ter bebê e fica desesperada? Seu peito dói, seu bebê não dorme, faz milhões de cocôs-moles por dia e todo um universo de exaustão se abre à sua frente sem prazo para terminar. Aí você pede socorro a todas as mulheres que você sabe que são mães e elas o que dizem? "Ai, que lindo","Que saudade, aproveita!". 

Aí vem outras pessoas e dizem que vai ficar mais fácil. E você tenta se acalmar e vai vendo o tempo passar, passar... Pois é. Você descobre que é tudo mentira. Na verdade, vai ficar muito, mas muito mais difícil a cada dia, porém, você vai calejar com o tempo e acostumar com a trabalheira, a exaustão, a falta de sono e todo o acúmulo de responsabilidades que vem com o pacote maternal. Sem falar que o amor pela criaturinha vai ficando tão enorme que vai aliviar o cansaço e recompensar com um sincero e enorme sorriso cada ruga de preocupação e cada olheira que você ganhar. 


É isso mesmo queridas amigas grávidas ou recém-paridas, verdade seja dita: não vai ficar mais fácil não! Podem esquecer isso. Mas você vai se habituar, tenha fé. O seu peito vai se adaptar à amamentação, você vai se adaptar a dar algumas acordadas durante a noite e a levantar sempre (s-e-m-p-r-e) cedo no outro dia. Você também vai perder o pudor com os próprios peitos, vai tentar ser mais disciplinada com os cuidados domésticos, vai aprender a fazer comidinhas saudáveis e testar várias receitas da sua mãe (ou da internet), vai ficar dias e dias sem dormir quando o bebê ficar doente e vai jurar que nunca mais terá filhos. O que também é uma mentira deslavada. Sabemos que a maioria esmagadora das mulheres sente falta dessa loucura e faz tudo outra vez depois de uns anos. Algumas emendam meses e fazem aquela escadinha de crianças. Antigamente essas últimas não tinham opção, hoje esse tipo é considerado o mais corajoso, convenhamos!

Você vai aprender a produzir festinhas, vai passar a olhar toda criança e grávida na rua com um olhar diferente, como se você tivesse entrado numa "Matrix" onde só quem vai passar ou está passando pela mesma situação passa a se compreender apenas através do olhar.

Sua vida que era "de bar em bar" vai passar a ser "de parque em parque". Você vai viver em pracinhas, onde estão lá outras cúmplices vivendo exatamente o mesmo momento que você. Você percebe o olhar de desespero das recém-mães, querendo fazer mil perguntas, mas morrendo de vergonha do julgamento das outras na hora que expressarem o medo que sentem daquela criança. É uma obrigação dizer que está extremamente feliz e você se sente culpada por sentir tanta insegurança e por achar que não vai dar conta do recado. Aí você chora. Chora copiosamente todas as noites. Mas isso passa. São os hormônios entrando em combustão com o cansaço (rs). Acredite, vai passar.

Ah... e a culpa? Essa será sua companheira fiel até o último de seus dias. A culpa é um sentimento inerente à condição maternal e por mais que racionalmente você saiba que não há motivo para senti-la, sim, você não conseguirá controlá-la. Você sempre vai achar que está fazendo alguma coisa errada, por mais que nem tudo dependa exclusivamente da sua boa vontade. E sempre haverá alguém pra dizer que faz diferente e que você está fazendo errado. Uma dica? Siga seus instintos e confie em si mesma. O filho é SEU e você vai educá-lo à sua maneira. Aprender a se impor é fundamental logo nesse começo, onde todo mundo quer ser mais "especialista" no seu bebê do que você. Se você der colo, vão dizer que você quer mimar, se você deixar chorar no berço, vão dizer que você é desatenciosa e desleixada. E assim sucessivamente. Não dê brecha e confie em si mesma, mesmo que para isso você tenha que enfrentar pessoas queridas (geralmente são elas que acabam se sentindo à vontade para "se meter").


As músicas que ficarão grudadas na sua cabeça serão infantis e você as cantará até quando não estiver com o seu bebê, porque trata-se de uma verdadeira lavagem cerebral. Dançar? Só se for Backyardigans ou cantigas de roda. E você vai passar o dia todo falando em tatibitati, a famosa linguagem bilu-bilu. Você vai acordar quase todo dia se perguntando que nova brincadeira inventar para entreter seu filhinho, que depois que começar a andar, não lhe dará mais sossego. É exaustivo? Sim. Mas você vai amar? Vai, você vai amar como nunca.

Não é fácil, mas você vai amar e se divertir muito no caminho
Serão pelo menos cinco anos da sua vida dando banho naquele pingo de gente todos os dias. Serão sei-lá-quantas-trocentas fraldas trocadas. Serão dias com pano de chão na mão limpando a casa durante o período de desfralde. Será uma angústia voltar a trabalhar, será estranho a primeira saída sem o bebê... "Parece que estou esquecendo alguma coisa". Você não vai confiar em babás. E se precisar de creche, vai ligar pra lá sempre, enchendo o saco das supervisoras, mesmo que você saiba que seu filho está bem.

"Vou sobreviver?". Sim, você vai sobreviver. E vai crescer, se não cresceu ainda, será forçada a isso. Será um tapa de realidade na cara: o amadurecimento está dentro do pacote também.

Penso que isso não terá fim. É o único trabalho que tem hora pra começar, mas não tem pra acabar. Eles vão crescer e você vai trocar a labuta física pela emocional. Vai ficar de cabelos brancos e rosto enrugado imaginando seu "bebê" de 18 anos solto por aí nesse mundo louco. Você vai pensar se ele vai fazer as mesmas coisas que você fez na sua adolescência e vai ter medo, amiga, muito medo! rsrs De repente você vai se lembrar de um certo carnaval, uma certa balada, e vai pensar "Onde eu fui amarrar meu burro?". Sabe aquela sua tia velha que se assusta com tudo que vê na televisão? Então, você vai se deparar sendo ela mesma na fila do pão. "Você viu o que aconteceu essa manhã? Esse mundo já não é mais o mesmo".

É isso, amigas. Ninguém disse que seria fácil, mas cá estamos nós, vivendo a maior e melhor aventura de nossas vidas. Você vai ser feliz sim, e isso não é mentira. Mas vamos combinar que isso não é pra qualquer uma. Ser mãe, mãe de verdade mesmo, exige coragem, paciência, dedicação e sabedoria. E muita saúde pra aguentar. Não basta engravidar e nem tudo vai dar certo no final, como todo mundo gosta de dizer. Se você não tem preparo e estrutura, possivelmente vai pirar. Não é à toa que tem gente que aborta, que abandona o filho no lixo, joga no rio, etc. Essas pessoas podem engravidar, mas não deviam. Repito: ser mãe não é pra qualquer uma.

Uma vez uma amiga me disse: "terão muito mais momentos difíceis e até mesmo, ruins, do que fáceis. É uma correria louca e você não terá tempo pra si mesma, pro marido, pra casa, pra sua vida! Mas se você quer, você dá conta sim. Se não quer, nem comece essa viagem, porque ela é só de ida, não tem volta."

Mas se você vai amar? Sim, você vai amar. E isso é tudo verdade, pode confiar.

Sexta-feira, Setembro 16, 2011

A neurose do tempo e um delírio chamado destino

Nem tudo na vida é destino. Eu sinto um pouco de irritação quando percebo que a maioria das pessoas age como se o destino comandasse a vida delas. Não sei se consigo acreditar que algo maior que eu mesma comanda o que está por vir na minha vida. Se assim o fosse, ninguém precisaria fazer nada, bastava esperar que o predestinado acontecesse, não?

Ok, há coisas que acontecem. Minha gravidez, por exemplo, aconteceu. Mas vamos combinar que eu dei brecha pra ela "acontecer". No fundo, tudo não passa de escolha. É como eu li outro dia em algum lugar da internet: o diabo é você ter cem opções e ter que passar a vida inteira se perguntando como teria sido se tivesse optado pelas outras 99.

E se eu não tivesse casado? E se eu não tivesse feito Jornalismo? E se eu não tivesse parado dado um tempo na dança? E se eu não tivesse me mudado de cidade? E se... E se.. ? São tantos se's que acabamos enlouquecendo. Acho que a nossa eterna insatisfação reside justamente nessa quantidade absurda de opções que temos pela vida. É como se nenhuma escolha fosse ser suficientemente acertada, por mais feliz que ela te faça. Mas também, convenhamos, conviver com 99 opções das quais você precisou abrir mão não é tarefa fácil. Então, eu me questiono o seguinte: por que temos que fazer apenas UMA opção mesmo? Quem foi que determinou isso? Onde essa paranoia social começou?

Tudo bem, você vai me dizer que a vida é curta e precisamos nos focar, etc etc e tal. Mas eu proponho uma reflexão contrária a essa pressa toda. Vejo tanta gente paranoica porque o tempo está passando, porque vai fazer ou fez 30 anos, porque não casou, não teve filhos, sequer tem um namorado, ou ainda, porque casou, teve filhos e não deu tempo de terminar o que queria. Ou porque ainda não está rico e famoso, ou porque ainda não saiu da casa dos pais... Gente, calma! Dá tempo sim. Seja coerente consigo mesmo e tudo fluirá, cada coisa no seu tempo. Não no tempo da "coisa", no SEU tempo pessoal. A gente passa a vida toda numa perseguição absurda de sabe-se-lá-o-quê-e-para-quem que acaba mesmo é no consultório de um terapeuta!

E daí se você não teve filhos? E daí se você teve filhos? Há muitas vidas dentro de uma vida. Quem disse que você está fadado a fazer uma única escolha e ir até o fim da vida aprisionado nela? Dá tempo de mudar a rota, desviar o caminho, se encontrar, se perder de novo, se reencontrar. Ser jornalista, ser bailarina, ser mãe, ser esposa, ser amiga. Ou desistir de tudo isso e decidir por outra coisa. Sim, por que não? Dá tempo! Dá tempo de viajar o mundo ainda, dá tempo de estudar outras ciências, até de aprender a cozinhar, a cuidar da sua casa pra sua filha crescer com dignidade (haha)!  Se não dá tempo agora, ok, espere, trabalhe pra isso e dará depois. Pra que tanta neurose? Um passo à frente e já não se está no mesmo lugar, já dizia Chico Science.

E se lá pelo meio você descobre que não é nada disso e quer mudar tudo outra vez? Mude. A única escolha que não deve deixar de ser feita é aquela de ser leal consigo mesma. De respeitar a própria natureza. E a felicidade não vai estar lá no final, vai estar nos intervalos, na procura, no caminho torto que a gente faz, nos acertos casuais e nos erros também. Pra onde você está indo? Pra onde você QUER ir? Não sabe? Ok. Dá tempo. Só não pare de caminhar.

Domingo, Julho 24, 2011

Maternidade e Transformação



Depois que passamos por uma certa transformação chamada maternidade, vamos descobrindo pelo meio do caminho diversas coisas que não nos servem mais. É preciso estar sensível para perceber o que deve ser descartado e o que não deve e, ainda, o que queremos para o que irá nos servir novamente. Não é fácil e se você não se der conta, pode se perder de si mesma mais tarde. Então, vou podando o que não serve, retirando as partes podres, como uma planta, que precisa ser cortada e aparada para continuar crescendo forte depois.

Quinta-feira, Junho 16, 2011

Mamaço Carioca

Passando aqui bem rapidinho pra falar que o Mamaço Carioca foi maravilhoso! O Parque Lage estava lotado de gente do bem. Mães, amamentando ou não, pais, crianças de todas as idades, grávidas, avós, amigos. Uma cena realmente linda de se ver. Parecia até um universo paralelo, o tempo todo vinha à minha cabeça aquela música da Marisa Monte que eu AMO, "Vilarejo", que diz assim...


Há um vilarejo ali...

Onde areja um vento bom


Na varanda, quem descansa, vê o horizonte deitar no chão


Pra acalmar o coração


Lá o mundo tem razão


Terra de heróis, lares de mãe, o paraíso se mudou para lá


Por cima das casas, cal

Frutas em qualquer quintal

Peitos fartos, filhos fortes, sonhos semeando o mundo real


Toda gente cabe lá

Palestina, Shangri-lá


Vem andar e voa, vem andar e voa, vem andar e voa


Lá o tempo espera, lá é primavera


Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar


Em todas as mesas, pão


Flores enfeitando

Os caminhos, os vestidos, os destinos


Tem um verdadeiro amor

Para quando você for...





Foi lindo. Um protesto de amor.


Quem quiser ler sobre o evento, tem matéria do site Terra aqui, com fotos.

Quinta-feira, Junho 09, 2011

Mulheres realizam ato pró-amamentação no próximo domingo


Evento intitulado Mamaço Carioca terá roda de amamentação coletiva, debates, apresentações artísticas e espaço para crianças

No próximo domingo (12), mães e organizações sociais promovem um ato em favor da amamentação no Rio de Janeiro, intitulado Mamaço. O objetivo da iniciativa é discutir a valorização do aleitamento materno e a inclusão de espaços destinados à prática em locais públicos. O evento é gratuito e acontece no Parque Lage, no bairro do Jardim Botânico, das 10 às 14 horas. Na programação estão incluídas, além da roda de amamentação coletiva que dá nome ao evento – o mamaço -, atividades como debates envolvendo os temas relacionados; compartilhamento de experiências e dificuldades individuais entre as mães com a mediação de profissionais especializados; apresentações artísticas; e um espaço infantil para desenhos e contação de histórias.
            Várias cidades brasileiras se mobilizaram em apoio à causa e promoveram mamaços locais, entre elas, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza e Recife, onde a ocasião ganhou grande repercussão na mídia local e nacional. O intuito do movimento é estimular a amamentação, orientar a população sobre as recomendações da Organização Mundial de Saúde e combater o preconceito contra as mães que amamentam em público.
A expressão mamaço surgiu após a antropóloga Marina Barão ter sido impedida de amamentar em público, há cerca de dois meses, pela monitoria da exposição do artista plástico Leonílson, no Instituto Itaú Cultural da Avenida Paulista, em São Paulo. A argumentação foi de que seria proibido se alimentar naquela sala: a mãe estava com seu bebê de dois meses em um sling (carrega-bebê de pano), e, quando ele sentiu fome, naturalmente o colocou para mamar. Após o incidente, Marina organizou o movimento que chamou de “Mamaço Cultural”, onde reuniu mães em um evento apoiado pela própria instituição, que se retratou publicamente.
Paralelamente a isso, nos dias que antecediam o evento, realizado no início do mês de maio, a jornalista Kalu Brum, publicou em seu perfil na rede social Facebook uma foto amamentando o filho. No dia seguinte, o Facebook enviou-lhe um comunicado informando que a foto seria retirada por apresentar conteúdo impróprio. A jornalista então criou uma comunidade na rede convidando todas as mães a trocarem as imagens dos perfis por uma foto de amamentação, e, aludindo ao evento paulistano, chamou a comunidade de “Mamaço Virtual – Porque Amamentar é Beleza Pura!”. Os acontecimentos geraram, além disso, uma mobilização coletiva em vários blogs, formando em todo o país um verdadeiro manifesto em defesa da amamentação.

Aleitamento – A Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses de idade e misto (como complemento à alimentação) até, no mínimo, os dois anos de idade do bebê. A amamentação exclusiva reduz a mortalidade infantil por enfermidades comuns da infância, como diarreia e pneumonia, e ajuda na recuperação de enfermidades. Crianças alimentadas com leite materno normalmente dobram de peso do nascimento até essa idade. O leite materno, além disso, é barato e não corre o risco de ser contaminado com bactérias, como pode acontecer com as mamadeiras e o leite em pó, além de continuar trazendo benefícios para as crianças nos anos que se sucedem aos primeiros seis meses.
Programação Completa Aqui.
Mais informações:

Ellen Paes
Jornalista / Assessora de Imprensa
(21) 8724. 3139

Maribel Barreto
Organizadora
(21) 9285. 7018